Os objetos e espaços que compõem a arquitetura não estão isolados em suas materialidades. Há neles uma dimensão poética associada com a experiência e imaginação humana, como argumenta a idéia contida em La poétique de l'espace do Gaston Bachelard. A escada, como objeto, tem a função de ponte entre os espaços superiores e inferiores, mas além dessa função pragmática ela simboliza a ascenção para uma outra realidade, a descida para as entranhas, e outros significados que não somente o ato de subir e descer. Na Opera Garnier, a escadaria teatraliza a nobreza do espaço. Na gravura Relatividade de M.C. Escher, as escadas conduzem a imaginação para cada plano das 3 dimensões, estimulando a fantasia.
Nos tempos modernos, a lógica da velocidade prioriza o elevador e condena as escadas da maiorias dos edifícios a um ambiente insosso, detrás de alguma porta corta-fogo. E é por esse motivo de segurança que as escadas ainda permanecem nos edifícios verticais. Mas nem tudo está perdido. Na sede do New York Times projetado por Renzo Piano, a escada de incêndio ganhou um tratamento decente. Localizada numa caixa transparente na fachada lateral, a escadaria destaca-se no prédio pela energia da cor laranja, reforçando a intenção de uso do referido espaço, como um convite ao devaneio durante o ato de ir pra cima ou pra baixo.


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