Essa coisa ai de cima é o CV08, um robô que digere subúrbios abandonados. O robô processa os materias ingeridos e devolve em um formato sustentável. Como na imagem abaixo:
Na pata sugadora de gente há imagens de donuts para atrair os gulosos. Lá em cima tem a câmara de lipo-aspiração, a gordura em excesso é sugada e armazenada como combustível, e a pessoa, agora sarada, é lançada de para-quedas de volta a terra. Os automóveis são reciclados e viram bicicletas. Por onde o robô vai passando, ele vai descolonizando a terra, com fauna e flora.
Por Andrew Maynard Architects.
28 de mar. de 2009
comedor de subúrbio
26 de mar. de 2009
coceira braba
Também chamada de cansanção, a favela é uma modalidade de urtiga, dessas que ardem e coçam uma coceira de fogo. Está presente na caatinga do nordeste brasileiro, e foi apresentada para as tropas do Exército da República na Guerra de Canudos.
De volta ao Rio de Janeiro, os soldados passaram a chamar as moradias insalubres de favela. E o batismo deu certo, internacionalmente.
li no livro Arquitetura Popular Brasileira, Günter Weimer, Martins Fontes
a foto é daqui http://www.flickr.com/photos/tovinhoregis/1033468093/
23 de mar. de 2009
skyscraper
Embora a internet tenha a desvantagem de ser um depositório de qualquer coisa, existe confluências que são super-curiosas, como o site http://www.skyscrapercity.com, um fórum sobre as cidades de todo o mundo. Lá, os entusiastas postam dezenas de fotos, colam matérias de jornais, caçam novos renders de projeto, e discutem sobre a qualidade e pertinência da arquitetura. Na maioria das vezes tem mais paixão pelo tema do que os próprios arquitetos.
Clique http://db5.skyscrapercity.com/showthread.php?t=731052 e veja as discussões sobre o projeto da imagem acima, um oceanário em forma de anêmona. Ao contrário deste bicho, que vive preso no fundo do mar, aquele será preso na costa de Fortaleza.
17 de mar. de 2008
megaestrutura de vanguarda
Se as utopias arquitetônicas de vanguarda estivessem realizadas, hoje habitaríamos na Plug-in City do Archigram, na New Babylon de Constant Nieuwenhuys, ou na La Ville spatiale de Yona Friedman. As megaestruturas da segunda metade do século passado combinavam arquitetura visionária com cultura pop, indo muito além do metódico planejamento urbano.
A mobilidade em questão não era a do prédio, mas do usuário, que poderia exercer qualquer tipo de uso, de acordo com sua próprias idéias e situações. Neste contexto, a infraestrutura não é determinada e nem determinante, possibilitando uma arquitetura dinâmica para uma sociedade também dinâmica. Mas cidade atual continua com o mesmo modelo, e a sociedade que abriga vive em outro tempo, digital e em velocidade, descompassada com a realidade. Após 50 anos, L’Architecture Mobile ainda é avant-garde.
visto em MEGASTRUCTURE RELOADED
6 de mar. de 2008
iniciativa masdar
Já está em andamento um empreendimento bilionário nos Emirados Árabes Unidos para construir, do zero, uma cidade sustentável para 50 mil habitantes: Masdar. O projeto ambicioso traz números nulos impressionantes: zero de emissão de CO2, zero de desperdício, zero de consumo local de combustível fóssil. Paradoxalmente, Masdar está sendo construída em Abu Dhabi, uma das maiores produtoras de petróleo do mundo.
Apesar da sustentabilidade e caminhabilidade do projeto, a planta da cidade nada tem de orgânica ou da sinuosidade medieval, como se poderia imaginar, mas pelo contrário, é extremamente racional, lembrando um placa de circuitos integrados. O medievo está presente com a muralha que cerca o perímetro da cidade, mas por justificativas de conforto ambiental e acústico.
No projeto de Lúcio Costa para a construção de Brasília, o carro foi o objeto que moldou a relação entre os espaços da cidade. No projeto de Foster+Partners para a Iniciativa Masdar, o carro está banido da cidade e todas as demandas urbanas podem ser atendidas a pé num raio de 200 metros. O transporte público será feito por metrôs e trens elétricos, e um sistema de trânsito rápido será a solução para o transporte privado e individual.
O projeto é ousado e sua sustentabilidade pode ser questionada pelo excesso de tecnologia para produzir um equilíbrio ambiental que pode ser alcançado de forma mais natural, como é o caso da permacultura e de outras práticas semelhantes. Entretanto, Masdar será um laboratório de pesquisa para as demandas atuais de uma vida urbana menos predatória. As imagens do vídeo promocional seduzem, Masdar é o futuro, e já começou.
2 de mar. de 2008
19, 20 e 21
Se no século passado os senhores do planejamento urbano discursavam sobre o desenvolvimento das cidades, no de hoje procura-se o que fazer com o autônomo caos urbano. Os dados comprovam o absurdo fantástico de ser agora homo urbs. Em 1800 menos de 3% da população mundial viviam em cidades, 208 anos depois e com uma população 6,6 vezes maior, mais da metade das pessoas vivemos num espaço urbano, nestas super-cidades, megalópoles e hiper-centros saturados.
Pra compreender esse dilema e quais os desafios e oportunidades que surgirão num futuro próximo, uma equipe multidisciplinar está organizando o projeto 19.20.21., que estudará o fenômeno das cidades durante 5 anos, tendo como estudo de caso
19 cidades com
20 milhões de pessoas no
21º século
Dessas 19 cidades, uma é sampa e outra é a maravilhosa, que contam respectivamente com 18,3 milhões e 11,4 milhões de pessoas!!
O estudo de 5 anos é um censo ambicioso que certamente descobrirá informações importante para o planejamento urbano e entendimento da sociedade deste século. No site 19.20.21.org, o projeto de pesquisa é apresentado de forma didática com dados interessantes sobre o desenvolvimentos das cidades nos últimos séculos. Mas falta esclarecimento sobre as organizações envolvidas no projeto, e denota uma tendência mercadológica.
Pena que 19.20.21. tem cheiro de dólar...
achado no treehugger
28 de fev. de 2008
primeiro nós mataremos os arquitetos
O fotógrafo americano Danny Lyon, em resposta ao convite para desenhar uma cidade, fez uma cartilha com propostas bem humoradas para New York, aplicáveis em outras cidades contemporâneas.
25 de fev. de 2008
arquiteto demiurgo
Os arquitetos são prentenciosos de uma forma divina. Com uma retórica humanista e uma audácia fingida, propõem a remodelação do mundo em discursos emocionantes sobre a construção do espaço. Confiantes nas suas idéias, apresentam um produto arquitetônico supostamente apropriado para catalisar as relações e convívios sociais e melhorar a qualidade de vida.
Decerto que os arquitetos são cirugiões do espaço, e assim sendo, têm autoridade para intervir nas três dimensões. Porém, a questão é a petulância de desenhar o mundo, como se este precisasse de traços para girar. Espontaneamente, as coisas vão acontecendo com uma tendência natural para que funcionem.
O arquiteto popstar Rem Koohaas insulta, deus está morto, o autor está morto, a história está morta, só o arquiteto permanece... , afirmando a prepotência da classe em salvaguardar o espaço humano.
O arquiteto permanece, permanece prescindível.

