17 de mar. de 2008

megaestrutura de vanguarda

Se as utopias arquitetônicas de vanguarda estivessem realizadas, hoje habitaríamos na Plug-in City do Archigram, na New Babylon de Constant Nieuwenhuys, ou na La Ville spatiale de Yona Friedman. As megaestruturas da segunda metade do século passado combinavam arquitetura visionária com cultura pop, indo muito além do metódico planejamento urbano.

Constant Nieuwenhuys, Gezicht op New Babylonische sectoren, 1971

Yona Friedman argumentava que a tradicional estrutura da cidade não estava equipada para a sociedade de produção do pós-guerra. Por isso, mobilidade, efemeridade e estruturas leves deveriam substituir os rígidos e inflexíveis meios da arquitetura tradicional. Como reação ao 10º Congresso de CIAM e a indiferença do Team10 sobre a arquitetura móvel, Friedman publicou o manifesto L’Architecture Mobile que deu início ao Groupe d’Etudes d’Architecture Mobile (GEAM) em 1958.

Yona Friedman, La Ville spatiale, 1960

A mobilidade em questão não era a do prédio, mas do usuário, que poderia exercer qualquer tipo de uso, de acordo com sua próprias idéias e situações. Neste contexto, a infraestrutura não é determinada e nem determinante, possibilitando uma arquitetura dinâmica para uma sociedade também dinâmica. Mas cidade atual continua com o mesmo modelo, e a sociedade que abriga vive em outro tempo, digital e em velocidade, descompassada com a realidade. Após 50 anos, L’Architecture Mobile ainda é avant-garde.

visto em MEGASTRUCTURE RELOADED

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